quinta-feira, 5 de julho de 2012

Rosa do Céu



Se faço não passo
O passo que eu fiz

Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

A calma demora
Mas logo me diz

Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

Escuto os roncos de sede do belchior
E Deixo pra trás o meu mundo inteiro pior

Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

A tarde é tão linda, o sol se recicla...
O dia parece se atar como um laço de fita

Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

De asas abertas, no alto, um pequeno gigante
Que me abraça apertado feito porca de roda gigante

Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

As lágrimas parecem cansar o menino taciturno
Mas ele de longe percebe que o amor é noturno


Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

O sorriso é um presente completo
Minha mãe me chama


Vejo um pedaço de fogo no azul do céu poente

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Equações geladas




De acordo com alguns poucos vastos pensamentos, a racionalidade e cientificidade das coisas mundanas como um beijo apaixonado, ou mesmo o voo cinético de borboletas loucas, mergulhadas no meu ácido clorídrico estomacal me fazem acreditar que tudo provém, lamentavelmente de meras e fugazes equações hormonais. A frieza cálida de alguns poetas da segunda geração romântica, o suspiro louco de seres que amam platonicamente, uma taça de vinho, marcas de batons vermelhos em guardanapos e os tão intensos arrepios de ciúme me fazem falta. A mansão de tudo aquilo que habito no peito tem me tornado vago e inerte como um sorvete aguado. A felicidade parece existir nas coisas simples, mas a simplicidade das coisas me nega fogo. Mas eu pensei: sendo eu um sorvete aguado afim do fogo da simplicidade,..(passando as variáveis pro outro lado da igualdade), ficarei eu só água. Água complexa.

domingo, 4 de março de 2012

Sobre perfumes e rochas



De ventos as rochas se moldam e o brilho do corpo se exala
De fogo, perfumes misturam as vozes que o corpo não cala
Já bem louca se faz ao coração mentir
E a menina perdeu-se em si

Nos claros vermelhos do sol, poente e distante ela grita
E geme na dor pra cantar no prazer, regojiza..
O viver é lantente e a febre nasceu pra sorrir
E a menina perdeu-se em si

No meu pranto se faz colo e eu deito ardente
De saudade em presença, saudade latente
E no fim, tão distante
Sou dela, ela flor, eu jardim
Perdi-me de mim

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre os segredos de liquidificador numa tarde de segunda-feira às três da tarde.





Daqui a pouco estarei eu na praia, correndo, correndo, firmando-me no espaço, cabeça sudoeste, tempo vago, sem cores e talvez sem coração.
Queria que o pulsar não atinjisse as minhas veias mas vibrasse metronica e compassadamente o meu ser. O meu espírito ser.
Quando sentir a brisa meio fria da costa leste que me banha todos os dias, quero tornar-me ar, rasgando as esteias que me prende ao chão, forjando-me contra o meu verdadeiro ser.
Poderia talvez, quem sabe, sentir mais, bem mais, muito mais afundo do que pudera eu, na minha complexidade tão volúvel sentir...
Queria um sorriso da melhor idade ou um choro de um bebê que não sabe o que quer.
Queria ver o mundo sendo ele próprio ou sendo eu próprio.
Gostaria de ver as pessoas mais doces, as vidas mais mansas e o mundo mais livre.
Queria eu ser um Deus, mas me gratifico por demais por ter a certeza que sou parte de um.
Nesta tarde, quero que o vazio se preencha todo dentro de mim.
Nessa tarde, quero eu não ser ninguém, quero querer o querer da forma mais ardente e sedenta possível.
Quero não me ter em pensamento e me ter na cabeça de alguma menina que ainda não me tem.



Bruno Falcão

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Amante de Santa






Nunca durmo muito
Por que muito durmo eu tanto
Quando perco a voz do canto
Quando a tinta resta à pena
E escrevo à pequena
Da mais doce virgem santa
Que nos sonhos entre tantas
Faz de mim coisa relenta


E me pisa com orgulho
Só pra ter a voz no rosto
E nos olhos o meu gosto
De me ver sacrificado
Santa cheia de pecado
Vê a prece do seu moço
Antes que lhe fique o osso
Sem deixar o seu recado


Vim rasgar-me nos teus braços
Mas a ti só tenho a SORTE
De talvez ganhar a morte
Nas loterias da vida
Como coisa prometida
Eu te coloquei na mente
Por que o peito já não sente
A dor que traz na batida


Uma santa concebida
Pra fazer em mim ruindade
Num tem gente que maltrate
Um caboclo adormecido
Como o seu amor vendido
Que lhe entrega crueldade
Como faz a humanidade
Quando diz amar alguém


Mas não imito ninguém
Entre tanta regalia
Eu prefiro o desgosto
De amar santa na dor
Do que ver a burguesia
Guardar todo seu pudor
Por não ter a poesia
De pecar e ser feliz


Pois não há gente que diga
Mesmo com benção de padre
Ou com reza de pretinha
Eu vos digo de verdade
Que um dia Deus acabe
Com a santa que foi minha
Nos meus sonhos eu a tinha
Toda cheia de maldade.


Bruno Falcão

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pecado Moreno



Morena, mulher carinhosa
Ardente, divina e serena
Morena, menina cheirosa
Morena, formosa morena

Um terço de saia de rena
Metade mais linda da rosa
Cintura de corpo pequena
Nos quartos, tão linda e gostosa

Meu peito não bate só grita
Minha fala não canta só cala
Quando a morena se arrisca
E me morde desnuda na sala

Meu mundo de baixo se agita
O anseio no peito me embala
E a unha pontuda e postiça
No esmalte do corpo se rasga

Por fim minha alma se atira
Num gozo veloz como bala
E a morena me xinga
Me beija, me cheira e me amassa